O Último Dia De Nós
MarcosAvelinoMartins
あらすじ
154o livro do autor das séries OLYMPUS (em 16 volumes com 300 poemas em cada), EROTIQUE (em 13 volumes com 50 poemas sensualmente líricos em cada) e SOB O OLHAR DE UM POETA (em 4 volumes com 150 poemas em cada). Alguns trechos: E depois, apenas parta, Sem olhar para trás, E não se arrependa, Pois já estou cansado De ser sempre o culpado, Mesmo que não o seja, Por isto, simplesmente se vá, Sem nem ver a última lágrima, Que por acaso insistir, Teimosa, inútil, Em de meus olhos rolar.... Fale-me pela última vez de amor, Ame-me com imenso alarde, Pois amanhã, já será muito tarde, Este último dia não se repetirá, Nunca mais algo assim haverá, E, quando essa noite mágica terminar, E lentamente um do outro se afastar, Enquanto as lágrimas descerem mansamente, Sussurre que me amará eternamente, Na última frase que de você ouvirei, Pois depois, saudade será só o que terei.... Sei qual será o final desta história, Mas sempre torci para finais felizes, Porém, não guardo em minha memória Nenhum amor que não me legou cicatrizes! O segredo é aproveitar cada instante, E perto dela, conhecer a felicidade, Mesmo que seja só um sonho delirante, E amanhã eu volte à maldita realidade... Saudade é um sentimento difícil de explicar, Doce e amargo simultaneamente, Uma tristeza que se derrama pelo olhar, Um vazio imenso que invade a mente... Há várias espécies de saudade: Um amor que deixou uma cicatriz, Uma ausência que nos invade, Uma melodia sem final feliz... Saudade é uma ausência que pelo olhar flutua, E nas sombras da noite persiste, E que no fundo da alma se perpétua, Por causa de um amor que já não existe... Nesse silêncio excruciante, Aterrorizante, Que me circunda, O medo me inunda, Impalpável, Intolerável, E me assombra, Receio até minha própria sombra, Que pela parede se espalha, O medo encharca meu pijama de malha, E nessa noite de Outono, Velo ternamente o seu sono, Com seus sonhos, num eterno flerte, Para que, me sorrindo, sempre desperte... Você foi uma canção que esqueci, Uma página arrancada de meu caderno, Uma ária que se tornou um murmúrio, Uma maldição que não mereci, E não me legou nada de eterno, A quem jurei amor e cometi perjúrio, Pois nosso amor não deu liga, Exceto por um tempo bem curto, E depois se tornou um problema, Não mais do que uma antiga cantiga, Nascido quando meu coração teve um surto, Cuja última manifestação é este triste poema... E nessas memórias que cultivo, Onde aquele amor era tudo que havia, Entre os fatos que de verdade ocorreram, E nesses tempos, onde apenas sobrevivo, Alimentando-me de versos, sonhos e fantasia, Eu me pergunto: será que aquelas noites realmente aconteceram? Por muito tempo, vivi de ilusões, Fazendo de conta que era feliz, Compondo apaixonadas canções, Para quem me legou alguma cicatriz, Mas o tempo embranqueceu meu cabelo E fez-me compreender que isto era sandice, Então despertei desse cruel pesadelo, Esqueci quem de amor nada me disse, Não se amedronte, Nada farei que não lhe dê prazer, Por uma longa noite de gemidos e gritos, Mas todos eles originados pela emoção De estar junto com uma alma gêmea, Que saiba reconhecer Cada um de seus pontos fracos, E explorá-los, arrancando-lhe sons Vindos do fundo da garganta, Igualmente explorada, Como cada centímetro de seu corpo lindo, Nessa primeira noite de nós, Ao final da qual você sentirá que não mais haverá Nenhum ponto de prazer inexplorado em seu corpo, A mim submisso e cúmplice, Durante horas a fio de suspiros e beijos, Despertando-lhe êxtases jamais imaginados... Ninguém exceto você Consegue me seduzir E tão suavemente, De um jeito que pouco se vê, E pelos seus caminhos me conduzir, Eternamente... Quando você me toca Desse seu jeito suave, Transmitindo um imenso amor, Em meus sentidos uma catarse provoca, Em minha solidão gira a chave E deixa-me num suave torpor, Que linda canção era aquela Que para mim cantaste, Sob as vistas daquela Lua tão bela Que para te ouvir arrastaste... Os acordes daquela doce canção Enlevaram os pássaros, que se calaram, Para apreciarem esse som na imensidão, E em silêncio tua voz de veludo escutaram... Eram tão lindos aqueles acordes, Que a própria noite por instantes se aquietou, E depois, talvez disto nem te recordes, Mas até o silêncio por alguns minutos pairou... Meus versos românticos Que contam histórias Verídicas ou não Sobre amantes Que se perderam Ou se encontraram Contam histórias líricas De encontros e desencontros Com finais felizes ou não E arrancam sorrisos Ou lágrimas que rolam suaves Pelas faces de quem os lê E essas emoções tão diversas Fazem valer a pena tê-los escrito Não esperarei que me contem Que hoje será melhor do que ontem, Ao contrário, tentarei fazer com que seja, Afinal, é isto que cada um de nós deseja, E o nome disto é esperança, Mas otimismo demais sempre cansa, E a vida não é nenhum mar de rosas, Ė repleta de ilusões perigosas, Uma das quais é excesso de otimismo, E outra delas é encarar tudo com cinismo, Não sei o que é amor, Essa palavra estranha não reconheço, E se um dia eu soube, já me esqueci! Muita gente fala deste ser abstrato, Cuja estranha diversão É ver corações partidos, Lágrimas a escorrerem pela face E vidas destruídas, Mulheres que vivem a olhar pela janela, Na espera inútil de quem jamais voltará, Não sei se rio ou se choro Quando de você eu me lembro, E cuja lembrança deploro, Um inverno que chegou em Setembro, Um samba composto para o Carnaval Que nunca chegou a ser gravado, Uma tela esquecida num mural, Um violão nunca mais tocado, Um fogo que durou só um instante, Um caso de amor nunca lembrado, Que não foi nem um pouco relevante, Num nicho qualquer da memória guardado, Que não me deixou um resquício sequer, Nem mesmo uma marca de batom na camisa, A lembrança de um inesquecível perfume de mulher, Alguém de cujo aniversário a agenda não me avisa, Um amor fugaz que sempre neguei, Uma recordação para sempre imprecisa, Uma lembrança fugaz que por algum motivo apaguei... Ela me beijou pela última vez, Um beijo imenso, cheio de paixão, Subiu a rampa da sala de embarque, Virou-se por alguns instantes para trás, Com o rosto cheio de lágrimas, Acenou-me, dando adeus, Depois entrou naquele labirinto, E se foi, mas nunca mais voltou, E, no lugar do amor para sempre ausente, Só me restou essa incurável saudade... The last tears I shed Because of a lost love Were as sad as they were useless Caused by someone I loved And that only one left me with this pain Because of futile reasons Thank God no one noticed While they ran down my face Leaving some deep grooves But so slight that no one noticed Just a sad goodbye to that vain love And it only lasted for a few seconds