あらすじ
Agora são sete em ponto, sete horas da manhã, depois de uma noite sem dormir, começo a revisar minha vida. A luz da manhã faz com que os sonhos ruins sumam e as lembranças fiquem vivas. Percebo, que nem tudo me foi explicado até agora, mas o pouco que soube foi o suficiente para saber que nunca estive presente em minha própria vida, sempre estive lá, em algum lugar, nunca aqui. São escritos sobre a ignorância que escrevo aqui, de um lugar que sempre estive, nunca estando, como alguém que sempre fui, porém, nunca sendo. Escrevo sobre uma história que não conheço, de um filme que nunca assisti, estou dando vida a um livro que nunca li. São histórias que nunca me contaram, histórias encobertas, que aos poucos foi se descobrindo. Histórias sobre viver sem estar presente na própria vida. Na luz do dia todas às angustias desaparecem, tive sempre certezas, nunca tive dúvidas. Minhas certezas iam além da razão, pois aquilo que tinha corpo, que era físico, me parecia real, o contrário era lenda, mito, explicando coisas da natureza, eram coisas sem importância. Entretanto, tudo muda e se existe uma coisa real, para mim hoje, são os mitos, as lendas, as minhas memórias. Ao saber agora, que minhas memórias são tão concretas, tão reais quanto às árvores, muita coisa muda. São pedaços da incrível jornada da minha vida na tentativa de tornar-me eu. Esse eu, um animal louco, que pode criar uma história de si, construindo um mito sobre si mesmo, inventando um novo Deus, que será morto pelos seus próprios sonhos. Criando-o a sua imagem e semelhança, estou agora aqui me revisando, tentando me inventar, agora a imagem e semelhança deste outro que não é Deus. É isso! Tornar-me inteiro, mesmo na loucura. Talvez humano? Quem sabe?
