あらすじ
Nas últimas décadas, a mediação de conflitos tem se constituído em objeto de pesquisas acadêmicas, ao mesmo tempo que vem se desenvolvendo como meio de tratamento de conflitos, seja no âmbito judicial, seja por intermédio da mediação comunitária. No caso da mediação comunitária, trata-se de algo que, conforme registros antropológicos e sociológicos, remonta a longas experiências de autocomposição em diversos tipos de sociedades, desde, por exemplo, aquelas desenvolvidas em remotos povos americanos, africanos e asiáticos, até às vivências compositivas que se verificam nos centros urbanos. Longe de ser uma experiência exclusiva do Sistema Judicial, a mediação mantém sua vitalidade em associações de moradores, centros comunitários, entidades religiosas e instituições educacionais, provocando a mobilização de um considerável número de pessoas com saberes heterogêneos, experiências variadas e propostas diversificadas. Nesse contexto, o mediador comunitário de conflitos não só enseja conhecimentos teóricos e domínio de técnicas específicas como traz consigo um papel social relevante, especialmente quando políticas públicas de pacificação social são instituídas. Pois, esse livro apresenta o resultado de um estudo de caso sobre o significado do mediador comunitário de conflitos, a partir de dados coletados em campo – mediante observação participante, notas de campo e entrevistas –, tendo como referência a instituição de uma política pública de mediação de conflitos na cidade de Niterói, e considerando determinadas características que lhe dariam o status de um profissional nessa seara à luz de contribuições teóricas e empíricas advindas do Direito e da Sociologia. Trata-se de uma ocupação em franca expansão que, no entanto, experimenta desafios à sua própria consolidação, a despeito de sua já conhecida relevância social.